15 outubro, 2007

Momento Cultural I

Por acaso, descobri cá em casa os meus cadernos do 10º ano.
Claro que bateu a nostalgia e comecei a revê-los.
Quando peguei no de Português, resolvi ler as composições!
E sinceramente... já com 15 anos eu não era muito normal... e sempre imagino o que é que a minha professora de Português (cujo nome, claro que não vou dizer) pensava de mim!

Vai daí, vou colocar aqui a primeira composição de algumas que para aqui tenho!

Os jornais amontoavam-se nas livrarias e nos quiosques. Apenas traziam pequenas notícias sobre a política ou algum pequeno furto. Geralmente estes, eram cometidos por modestos meliantes que eram logo de seguida aprisionados sem grande aparato.
Nas redações, os reporteres passavam o tempo perto do rádio receptor, com o qual eles podiam ouvir as comunicações entre as várias frentes da polícia. Nada, absolutamente, nada.
Nessa manhã chuvosa, em que eu estava cheia de sono, fui buscar um café, quando ouço uma novidade fantástica. Com a precipitação atiro o café para o chão e vou ter com o editor do jornal para ele me conceder um veículo móvel, juntamente com um bom fotógrafo.
Chego ao local do acidente (se é que poderíamos considerá-lo de tal) e lá, encontro um grande aparato policial. Eu acho que toda a polícia estava ali reúnida.
Tentei falar com o comissário da polícia, mas ele (que primava pela má educação) mostrou-se indelicado e sem nenhuma vontade de cooperar.
Ouvindo daqui e dali, consegui perceber o que se passava. Havia um veículo que se encontrava parado e, atrás dele tinha havido um choque em cadeia de vários automóveis.
Consegui juntar a história: Em plena hora de ponta, uma pessoa (possivelmente o dono do automóvel, visto não ter sido comunicado o roubo do mesmo) havia saído do carro abandonando-o no meio do caminho. Não havia levado nada; nem as chaves, nem os documentos, nem nada.
Regressei à redacção. Pelo caminho algo foi surgindo na minha mente. Convenci o Paulo (com alguma dificuldade pois com um dia tão chuvoso o que menos lhe apetecia era andar pela rua) a irmos até à casa do dono do veículo.
Quando lá chegámos a paz era total.
Não havia ninguém na rua, mas eu calculei logo que fosse devido à chuva que formava uma densa cortina que mal deixava passar a claridade.
Bati à porta... Não obtive resposta. Embora eu soubesse que a invasão de privacidade é crime, utilizei o processo do gancho de cabelo (truque que me foi ensinado por uma reclusa numa das minhas reportagens) para entrar em casa. Lá, o espectáculo era deprimente... toda a família, mãe e os dois filhos de idades muito reduzidas, estavam afogados num mar de sangue. Chamei automaticamente a polícia, que só não me deteve por invasão de privacidade por causa da minha descoberta.
A notícia fez furor, mas ainda hoje eu me sinto como que desanimada, por nunca ter descoberto o mistério deste crime. E, ainda mais quando descobri que o caso tinha sido arquivado e que o comissário da polícia se tinha reformado e comprado uma quenta em Sintra...

Sei que é um bocadão de texto, mas não deixa de me fazer uma certa confusão, pensar no que me andava na cabeça aos 15 anos... corrupção, assassiníos macabros, enfim... só espero que não ande por aqui nenhum psicólogo! :P

7 comentários:

MoonWolf disse...

Sem comentários...

Está EXCELENTE...

Tinhas 15 anos? Está muito bem escrito, para além de teres uma óptima imaginação...

Muitos PARABÉNS...

o segredo da lua disse...

hum... pois... psicologo... por acaso anda... mas nao vou dizer nada ;o)

Zaka disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Zaka disse...

E ao menos a menina leu o texto?!
Eu sei que é grande e tal... mas é isso que é aqui pedido! :P

Tertúlia Côr de Rosa disse...

Menina precoce... Não errou a profissão? Bem que podias ser a nossa Agatha Christie. Excelente, manda mais.
Beijos

jojo disse...

tinhas pedalada, tinhas. :D
ganda maluca. :D

Sara Oliveira disse...

Meu deus!!! E jornalismo aí pelo meio.

Eu quando imagino o pullitzer nem penso tanto :P

Mas tá fenomenal!! Adorei ! :)